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Será um elétrico amigo do Ambiente?

De pouco vale ser emissões zero se não se olhar para toda a vida do carro, desde a fábrica à reciclagem. É por isso que a Volkswagen aposta numa nova era com o ID.3: a neutralidade carbónica.

A chegada do Volkswagen ID.3 marca uma nova abordagem na indústria: para além de ser emissões zero, o que é inerente à sua condição de carro elétrico, o modelo mais importante da marca nas últimas décadas é também produzido ao abrigo de uma abrangente estratégia de sustentabilidade – ele é, de resto, o primeiro Volkswagen da história a ser fabricado com um balanço neutro de C02. Tudo graças a uma sigla fundamental que há muito circula nos bastidores da casa alemã: LCA – Life Cycle Assessement.

Num contexto de emergência climática, a neutralidade carbónica ganhou uma prioridade e uma atenção crescente junto da opinião pública. Nações e empresas assumiram o compromisso com o Acordo de Paris (2015), que tem como objetivo alcançar este balanço zero em 2050, e do qual Portugal é um dos países subscritores. O Acordo de Paris veio acelerar a transição para todo um novo modelo de negócio, assente numa economia de baixo carbono.

O Grupo Volkswagen assumiu esse objetivo e o ID.3 é o primeiro de uma nova geração de automóveis que vão chegar ao mercado com a chancela de carbono zero.

 

 

O caminho para a neutralidade carbónica segue três princípios essenciais: em primeiro lugar, a redução das emissões de CO2 de maneira eficaz e sustentável; em segundo, adotar o fornecimento de energia produzida a partir de fontes renováveis; e, por fim, compensar emissões inevitáveis. Ou seja, a descarbonização será tanto mais bem-sucedida quanto as emissões de CO2 forem consistentemente evitadas ou reduzidas e, no caso das emissões inevitáveis, compensadas por projetos ambientais.

O que significa isto para uma empresa como a Volkswagen? E para o ID.3?

Para garantir que a sua estratégia de sustentabilidade realmente faça sentido, a Volkswagen tenta assegurar a neutralidade carbónica durante todo o ciclo de vida de um veículo. Ou seja, o ID.3 (e todos os outros que se seguirão), não podem limitar-se a serem emissões zero. Todo o ciclo, desde a fábrica até ao final da vida útil do carro, é observado logo no momento zero do projeto.

Os especialistas referem-se a isto como LCA (Life Cycle Assessement, ou, em português, Avaliação do Ciclo de Vida). A LCA divide a produção e a vida útil de um carro em quatro grandes áreas: a cadeia de fornecedores, a produção, a utilização, e, por fim, a reciclagem, que ocorre no final. No que toca a mobilidade sustentável, o pensamento holístico é uma condição indispensável – porque de nada adianta uma utilização com emissões zero se as restantes áreas agredirem o ambiente.

A sigla LCA é, na verdade, o ponto fulcral de toda a estratégia de mobilidade sustentável encetada pela Volkswagen. E convém entender porquê.

Num veículo com motor de combustão interna, a maioria das emissões ocorre durante a fase de uso, ou seja, na cadeia de valor dos combustíveis fósseis e no consumo propriamente dito. Neste último elo da cadeia (a utilização), o diesel atinge 111 g de CO2/km. Um veículo correspondente com motorização elétrica emite apenas 62 g CO2/km durante esta fase, resultante da geração e fornecimento de energia. Por outro lado, a maioria das emissões do veículo elétrico movido a bateria é gerada na fase de produção. De acordo com as conclusões obtidas ao abrigo dos estudos LCA, um diesel gera na produção o equivalente a 29 g CO2/km, face aos 57 g CO2/km de um veículo elétrico comparável.

Porquê? A produção de baterias e a extração de matérias-primas são responsáveis ​​por essa desvantagem. Essas emissões representam quase metade do total de CO2 gerado ao longo de todo o ciclo de vida de um elétrico. Durante a fase de uso, por seu lado, as emissões de CO2 dependem das fontes de produção de energia. Que irão diminuir na exata proporção em que forem usadas fontes renováveis para a geração de energia.

Do diagnóstico à prática

Fruto desde trabalho de LCA, a Volkswagen sabe hoje onde estão os chamados “pontos quentes” na produção – áreas e etapas do processo industrial que geram altos níveis de CO₂. O exemplo mais visível é, como se viu, a produção das baterias, a qual é responsável por mais de 40% das emissões totais inerentes ao ciclo dos carros elétricos.

Neste caso, a Volkswagen enfrentava um desafio suplementar: a bateria do ID.3 é um componente produzido por um fornecedor externo. Por isso mesmo, esta peça vital absorve uma boa parte do esforço dos auditores da Volkswagen que analisam toda a cadeia de fornecedores e os seus processos, desde a extração das matérias-primas até ao produto final que é enviado para as fábricas do grupo.

Os elementos da bateria para o ID.3 são fornecidos pela coreana LG Chem, que fabrica as células na Europa e investiu numa nova fábrica na Polónia. O acordo com a Volkswagen, desenhado bem antes de o primeiro ID.3 sair da linha produção, implica que a LG Chem apenas utilize eletricidade verde certificada no processo de produção. Com esta estratégia, as emissões de CO2 deste “ponto quente” da produção ficam reduzidas a praticamente zero, com óbvios reflexos na sustentabilidade ambiental de todo o projeto de carros elétricos da Volkswagen.

Dentro da estrutura de produção da própria Volkswagen, a reformulação de conceitos foi também a palavra de ordem. Para atingir o objetivo de 330 mil carros elétricos/ano a fábrica de Zwickau, Alemanha, foi alvo de investimentos destinados a assegurar uma produção com o menor impacto ambiental possível. As medidas implementadas já eram responsáveis, em meados deste ano, por uma redução de 66% das emissões de CO2, por comparação com 2010.

A energia utilizada em Zwickau é parcialmente fornecida pela Volkswagen Kraftwerks GmbH, integralmente a partir de fontes renováveis, mais concretamente hidroelétrica, eólica e solar, num processo certificado pela TÜV. A restante energia é produzida pela própria fábrica, a partir de gás natural, significativamente mais compatível com o ambiente do que o carvão. E com um “bónus”: neste último processo, a energia térmica libertada é aproveitada para o aquecimento das instalações.

As emissões que não podem ser evitadas, por seu lado, são compensadas através de ações de proteção ambiental certificadas internacionalmente, tais como o Programa de Reflorestação da Floresta de Katingan Mataya (Borneo) – 149 800 hectares de floresta destinados a compensar as emissões produzidas durante a produção do ID.3, mesmo antes de este chegar aos seus clientes.

No que diz respeito à utilização, dois pré-requisitos fundamentais para assegurar um ciclo sustentável: o carregamento das baterias em pontos cuja origem da energia sejam as fontes renováveis; e, por outro lado, a durabilidade das baterias, estendendo a sua vida útil.

Quanto ao primeiro objetivo – por enquanto o mais complexo de avaliar em alguns países – a Volkswagen está também a tomar as rédeas do processo, por intermédio da sua subsidiária Elli, a fornecedora de energia 100% verde sob a marca Naturstrom. A infraestrtura de carregamento é outra das frentes: a Volkswagen detém uma participação na Ionity, um consórcio que, no próximo ano, contará com 400 postos de carregamento super-rápidos nas principais vias da Europa, com o compromisso de energia 100% produzida a partir de fontes renováveis.

O alcance desta estratégia é inédito na indústria: a Volkswagen tornou-se também, para todos os efeitos, um fornecedor de energia elétrica.

Carregar as baterias com eletricidade produzida de forma sustentável é, obviamente, apenas um aspeto da equação. Sustentabilidade também significa durabilidade. No caso da Volkswagen, é oferecida uma garantia de oito anos ou 160.000 quilómetros nas baterias ID.3.

O caminho para a neutralidade carbónica do ID.3 (e de todos os que se seguirão, recorde-se) não termina na utilização. No final do ciclo de vida do veículo, surge a reciclagem, outra área em que a Volkswagen apostou em soluções concretas. Em 2009, a marca lançou o projeto de investigação LithoRec para desenvolver a reciclagem de baterias de iões de lítio. Atualmente, está a ser construída uma unidade piloto de reciclagem de baterias na fábrica de Salzgitter, com o objetivo de otimizar o processo e reduzir ainda mais a pegada de carbono da produção de baterias através do uso de matérias-primas recuperadas. Ou seja, a reciclagem é projetada desde o início para fechar o circuito, no que representa um claro modelo de economia circular.

Numa altura em que comprar ou usar um veículo é também adotar valores, o ID.3 e a restante família ID assumem o desafio da descarbonização em todo o ciclo. A magia do ID.3, a par da mobilidade com emissões zero, é exatamente essa: nunca na história do automóvel um carro tinha sido pensado assim.

(Newsroom SIVA)

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