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Lamborghini Polo Storico: O regresso do filho pródigo

Esta é a história de como um dos primeiros Lamborghini de sempre foi ressuscitado às mãos dos artesãos da marca. Em Sant’Agata Bolognese existe uma equipa muito especial que se dedica a este delicado trabalho de restauro dos clássicos. Com peças originais e saber único.

O cenário é o Autódromo de Modena, numa daquelas tardes ensolaradas que só o Outono da Emiglia Romana nos pode oferecer. A pista foi reservada só para um carro e para uma ocasião muito especial: mais de meio século depois de ter saído da fábrica, um 350 GT, o primeiro modelo a nascer do sonho de Ferruccio Lamborghini, volta a acelerar como se fosse na estreia.

Parece novo? É natural: sob aquela carroçaria acabada de pintar com 22 camadas de um delicado branco da época escondem-se mais de 2000 horas de trabalho. Nada menos do que um dos restauros mais complexos feitos até hoje pela Lamborghini.

Como tudo o que dá alma à história da Lamborghini, também o primeiro carro da marca nasceu de um rasgo emotivo no início dos anos 60. Cansado dos modelos da altura, que considerava insuficientes para um verdadeiro amante da condução, Ferruccio decidiu fazer ele próprio os seus e não olhou a meios. Acertou à primeira: o 350 GT, modelo inaugural, é hoje um dos automóveis mais icónicos da história e também um dos mais valorizados no mercado de carros de coleção.

Basta navegar um pouco pelos locais especializados para perceber o quão apetecível se tornou este modelo, bem como outros da marca, em especial desde que a Lamborghini se renovou sob os auspícios da Audi. Esta integração conferiu à casa de Sant’Agata Bolognese o “músculo” financeiro para, entre outras coisas, preservar de forma mais sistemática o legado histórico através da dinamização do denominado “Lamborghini PoloStorico”.

E foi precisamente esta divisão da marca que se envolveu durante mais de um ano num trabalho de restauro inédito e de enorme complexidade: um modelo 350 GT, chassis #0121, precisamente um dos primeiros 15 a sair da linha de produção, em 1964. Ou seja, um carro de valor incalculável para história da Lamborghini.

Foram quase 1200 horas de trabalho especializado na carroçaria e no interior, a par de cerca de 800 só para a parte mecânica e elétrica, utilizando apenas peças originais Lamborghini. A missão começou bem antes de os artesãos da Lamborghini Polo Storico colocarem mãos à obra: o chassis #0121, sendo um dos primeiros de sempre, continha ainda alguns elementos do protótipo original que foram evoluindo ao longo da produção, pelo que foi necessário desenvolver pesquisa para que esses elementos fossem respeitados no restauro.

 

 

O chassis original e os painéis de carroçaria foram devolvidos à sua geometria inicial, a que se juntou um extenso trabalho no motor e nos sistemas de arrefecimento, travagem e combustível. O interior, em couro preto, foi totalmente reconstruído utilizando técnicas da época, ao mesmo tempo que o volante em madeira os pedais mereceram um restauro específico, mantendo alguns sinais de desgaste. O autorádio original foi mantido, tanto mais que funcionava como no primeiro dia…

Uma das partes mais delicadas de todo o trabalho centrou-se na carroçaria. Os painéis foram pintados com num delicado branco usando as técnicas da época e a fórmula original de tinta nitroacrilica. No total, foram aplicadas 22 camadas, com polimento de areia entre cada uma delas. As jantes foram restauradas e autenticadas pelo fornecedor original, a Route Borrani, de Milão, tendo sido equipadas com uns Pirelli Cinturato 205/15, tal como nas unidades de 1964.

Quer para a Lamborghini, quer para o proprietário do carro, o respeito pelas especificações originais determinou toda a estratégia de restauro. Não é, por isso, de estranhar que no dia da estreia deste 350 GT renascido, tivessem sido vividos momentos de grande carga emocional. Sim, aquele Lamborghini branco a brilhar de novo sob o sol do Autódromo de Modena, ao som de um V12, foi um acontecimento daqueles que servem para nos lembrar que os carros, ou pelos menos alguns carros, são um veículo sentimental por excelência. Mas a cereja no bolo estava ainda para vir: naquela sessão de primeiro teste, 80 quilómetros na pista sem uma única falha, esteve presente o primeiro proprietário deste Lamborghini.

 

O Lamborghini 350 GT foi o primeiro modelo a ser lançado pela marca. Surgiu de um sonho – ou de um inconformismo – de Ferruccio Lamborghini e começou por denominar-se 350 GTV, um protótipo sem filtros, desenvolvido por Giotto Bizzarinni. Uma brutalidade de 400 cv e chassis mais próprio para corridas do que para andar na estrada. Ferruccio queria precisamente o oposto, ou seja, carros que mantivessem a garra da competição, mas que pudessem ser conduzidos em estrada como um desportivo puro.

O italiano apaixonado por carros chamou então Gian Paolo Dallara, o qual, juntamente com Paolo Stanzani, trataram de domesticar o 350. Para estes dois engenheiros, era o início de uma relação mágica com a Lamborghini e da qual resultaria, pouco tempo depois, o eterno Miura.

Dallara e Stanzani finalizaram o 350 GT, num trabalho do qual resultou que o V12 de 3464 cc debitasse agora uns mais domáveis 270 cv, suficientes para atingir uns incríveis 250 km/h de velocidade máxima. A carroçaria em alumínio recebeu este grupo motopropulsor, acompanhado de uma caixa ZF de cinco velocidades, diferencial Salisbury e suspensão independente às quatro rodas. O desenho coube à prestigiada Carrozzeria Touring, que reformulou o protótipo original, preservando o carácter das linhas do GTV, cujo design era assinado por Franco Scaglione.

O restauro deste 350 GT foi o quarto trabalho completo da Lamborghini PoloStorico, depois da intervenção num Miura, um LM002 e um Countach. Este departamento especializado foca-se em quatro áreas fundamentais: restauro, gestão arquivística, certificação e o fornecimento de peças originais através da rede de pós-venda e concessionários, uma forma de preservar o valor dos veículos. A Lamborghini tem disponíveis mais de 70% das peças do parque de carros históricos da marca, podendo fabricar outras sempre que necessário.

(fonte: SIVA Newspress)

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