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Ghosn proibido de sair do Líbano (por causa de Israel?)

Após receber um mandado de prisão emitido pela Interpol, a justiça libanesa decidiu proibir Carlos Ghosn de sair do país.

“A Procuradoria Geral [do Líbano] decidiu interditar Carlos Ghosn de viajar e pediu o processo [judicial em curso no Japão]”, afirmou uma fonte judiciária de Beirute à AFP.

Já a Associated Press, que também cita uma fonte judicial libanesa que pediu anonimato, refere que a decisão teve como base a informação da Interpol indicando que Ghosn pretenderia deslocar-se a Israel.

Recorde-se que Carlos Ghosn, que deveria ser julgado em Tóquio por desvio de fundos e má gestão, fugiu do Japão no dia 29 de dezembro.

Entretanto, o advogado de Carlos Ghosn foi chamado à Procuradoria de Beirute, mas desconhece-se ainda se o empresário o acompanhou.

Na quarta-feira o ex-executivo falou em conferência de imprensa durante quase três horas tendo criticado o sistema judicial japonês que acusou de violar liberdades fundamentais. Ghosn disse que não acreditava na possibilidade de um julgamento justo no Japão, referindo que as acusações de Tóquio “são falsas e sem fundamento”.

O Líbano e o Japão não partilham tratados de extradição e o mandado da Interpol, que sugere às autoridades que localizem e detenham provisoriamente o fugitivo, não é vinculativo. Beirute já informou que Ghosn entrou no Líbano usando um passaporte válido.

Israel

A interdição de sair do país poderá estar relacionada com um novo processo judicial que deu entrada na Procuradoria de Beirute e que acusa Ghosn de ter feito uma viagem ilegal e proibida a Israel em 2008.

Os dois advogados libaneses que submeteram o processo à Procuradoria de Beirute argumentam que a viagem violou as leis locais porque o Líbano está tecnicamente em guerra contra Israel e as deslocações ao país são proibidas.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, Carlos Ghosn pediu desculpas ao Estado libanês, afirmando que nunca quis ofender “ninguém” quando se deslocou a Israel com documentos franceses onde apresentou um projeto de veículos elétricos da Renault/Nissan.

Ghosn – que tem cidadania libanesa, francesa e brasileira – agradeceu a hospitalidade das autoridades do Líbano

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