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Pneus premium ou low-cost? Quais escolher?

Ponto único de contacto entre o carro e a estrada, os pneus são muitas vezes vistos como um investimento menor na manutenção automóvel.

A DECO Proteste fez a síntese a 10 anos de testes e respondeu à pergunta: Vale a pena pagar mais por um pneu premium? Do tipo de compostos utilizados na criação ao desenho do piso e efeitos no escoamento de água ou na tração, sem esquecer a resistência ao rolamento ou a furos, um pneu tem muito mais para contar.

As marcas utilizam estas características e propriedades para se distinguir da concorrência, o que acaba por levar à categorização dos pneus em três grandes patamares:

  • Os premium, segmento topo de gama, incluem as principais marcas mundiais, como Bridgestone, Continental, Goodyear, Michelin ou Pirelli. Reconhecido pela aposta na qualidade e na tecnologia, este segmento é o mais caro.
  • Na gama média (também designada de quality), incluem-se pneus de segunda linha, fabricados por marcas Premium: BF Goodrich (Michelin), Fulda (Goodyear), Uniroyal (Continental) e Firestone (Bridgestone). Estas marcas lutam pela melhor relação entre o preço e a qualidade.
  • No segmento low-cost, o principal argumento é o preço. Engloba gamas inferiores de marcas pouco ou nada conhecidas, muitas oriundas da China e Índia.

Teste independente a 283 pneus de 44 marcas

Ao longo da última década, no total, passaram pelo centro de testes da DECO 283 pneus de 44 marcas: 9 premium, 17 de gama média, 18 low-cost. O fator que mais salta à vista é o preço, com diferenças consideráveis. É o caso, por exemplo, deste confronto na medida 205/55 R16, uma das mais apreciadas: 45,45 euros pedidos pelo Nexen Blue HD Plus (low-cost) e 72 euros para pagar um Michelin Primacy 3 (premium).

Os low-cost custam, em média, menos 28% do que os premium. Vale a pena pagar mais por um pneu premium? Há diferenças que justifiquem a discrepância de preços ao nível dos aspetos essenciais, como a segurança ou a durabilidade?

Para responder, a associação olhou para os testes dos últimos dez anos, baseando as observações na análise estatística dos resultados, sem comparar modelos específicos. Para esta investigação, tiveram em consideração apenas os dados estatísticos dos resultados que os vários pneus de cada categoria obtiveram.

Esta análise reflete o expectável. Na qualidade geral dos pneus, os premium obtêm uma classificação média de 60%, com os de gama média a não irem além dos 52%. Ainda assim, este resultado é bem melhor do que o dos low-cost, que não ultrapassam os 40%.

A diferença reflete-se nas classificações atribuídas nos estudos: 49% dos pneus premium receberam a classificação de Boa Qualidade, ao passo que apenas 15% dos de gama média o conseguiram, e não mais que 2% dos low-cost, ou seja, apenas um modelo de pneus. Foi o Esa-Tecar Spirit 5 UHP, na medida 225/45 R17 94Y, que logrou a classificação de 66% numa bateria de testes em 2016, resultado que lhe valeu o título de Escolha Acertada.

É também entre os low-cost que se encontram a maioria dos pneus classificados (43%) como Má Qualidade e que, por isso, desaconselhamos a compra. Entre os pneus premium, apenas 3% foram considerados de má qualidade: Michelin Latitude Tour HP 215/65 R16 98H (num teste de 2017); Yokohama Geolandar SUV 215/65 R16 98H (num teste de 2017); Pirelli Cinturato P1 Verde 185 65 R15 (num estudo de 2019); e Hankook Kinergy Eco 2 185 65 R15 (em 2019).

Os resultados obtidos pelos pneus de gama média refletem o seu compromisso entre a qualidade e o preço: 15% revelaram boa qualidade e 10% má qualidade.

Proteção ambiental

Para descobrir as diferenças que justificam o esforço financeiro, a DECO analisou os resultados obtidos no capítulo da segurança e no desempenho ambiental. No primeiro, avaliou o comportamento dos pneus em piso seco e molhado e constatou diferenças significativas entre as três categorias.

Em qualquer critério, os pneus premium conseguem atingir a média mais elevada, seguindo-se os de gama média e, no fim, os low-cost. A verdadeira prova dos nove acontece no piso molhado: exige-se mais do pneu em caso de travagem e é aqui que a clivagem entre os pneus premium e low-cost é maior.

No que toca aos parâmetros da durabilidade, do consumo e do ruído, os três segmentos apresentam resultados muito idênticos. Ao nível ambiental, não é possível dizer que um segmento seja muito superior ou inferior. Existem diferenças, mas estas verificam-se ao nível da marca ou modelo, não podendo ser associadas às categorias.

Prioridade à segurança

Se não quer arriscar na segurança, os pneus premium são a melhor opção, ainda que impliquem um investimento mais avultado. Poderíamos esperar que os pneus de gama média fossem a opção ideal, aliando o melhor de dois mundos, mas a verdade é que quase nunca é assim.

E, nestes 10 anos, os modelos premium conquistaram mais vezes o título de Escolha Acertada, acumulando com frequência este galardão com o de Melhor do Teste.

Ainda assim, por vezes, as surpresas acontecem. Se precisa de comprar pneus novos, o melhor conselho é acompanhar os testes da DECO e decidir com a vantagem adicional de saber o preço mais barato perto de si. Os pneus low-cost melhoraram na segunda metade da década, mas ainda deixam muito a desejar.

Evite pneus usados, independentemente da marca que ostentem. Enquanto não existirem regras claras com os requisitos que os pneus usados devem respeitar para estarem à venda, o consumidor continua sem qualquer garantia de que está a adquirir um produto seguro. Os pneus usados não deveriam poder ser vendidos sem estarem devidamente certificados.

Em setembro de 2017, a DECO juntou forças com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) para apresentar uma proposta de legislação sobre pneus usados. Objetivo: regulamentar a venda, de modo a garantir que a reintrodução dos mesmos no mercado se faz em condições mínimas de qualidade e de segurança. Esta garantia seria visível através de uma etiqueta, que seria atribuída após a elaboração de vários testes para verificar as condições do produto. Mas o Governo não avançou neste sentido.

Mas a associação não deita a toalha ao chão e exige de novo a atenção do Governo sobre a matéria. Todos os pneus à venda deverão possuir a etiqueta a comprovar a realização dos ensaios e a admissibilidade de reintrodução no mercado. Só assim se consegue garantir que o negócio dos pneus usados é claro e transparente.

Rótulo de eficiência energética é insuficiente

Nas lojas, os pneus devem ser acompanhados por uma etiqueta de informação sobre eficiência energética, aderência em solo molhado e nível de ruído. Este rótulo é útil, mas não chega para uma decisão acertada. Deixa de fora muitos fatores relevantes para avaliar o desempenho global.

Por exemplo, não permite saber se um pneu dura mais quilómetros do que outro. E também não é possível saber que, em piso seco, um modelo trava em menor distância do que outro. Mais: para os três critérios, não são realizados todos os testes essenciais.

Os testes da DECO e a experiência real dos consumidores são as melhores pistas para acertar na hora da decisão. Equipado com a melhor marca de pneus, o seu carro pode percorrer mais 14 mil quilómetros do que com a marca que recebeu a pior avaliação.

O que precisa (MESMO) saber:

Os pneus premium traduzem-se em níveis elevados de desempenho em travagem e aderência?

Verdade. Os resultados evidenciam diferenças significativas ao nível do comportamento do tipo de pneu, tanto em piso seco como principalmente em piso molhado. Os pneus premium destacam-se pela positiva, com resultados muito melhores do que os restantes. Por sua vez, os pneus de gama média também são significativamente melhores do que os low-cost.

Os pneus premium traduzem-se em poupança de combustível e níveis elevados de durabilidade?

Falso. Os dados não revelam diferenças significativas em matéria de consumo e durabilidade. Existem, isso sim, diferenças entre marcas e modelos, mas não extrapoladas ao nível das três categorias.

Os pneus premium são mais amigos do ambiente?

Falso. Não existe diferença entre a categoria e o respeito pelo ambiente. Há pneus low-cost mais amigos do ambiente (durabilidade, consumo, ruído) do que outros premium e vice-versa. Estas diferenças ocorrem apenas ao nível individual, entre marcas e/ou modelos específicos.

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