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Brexit: Que futuro para as marcas britânicas?

O Reino Unido já não faz parte da União Europeia, 47 anos depois – se por um lado o impasse do Brexit foi ultrapassado, por outro alguns setores da economia estão apreensivos com o futuro. Como a Indústria Automóvel, uma das mais importantes para o PIB do Reino Unido.

O primeiro-ministro Boris Johnson já por diversas vezes prometeu que irá assinar acordos comerciais com a União Europeia (e outros importantes países de outros continentes) até final deste ano. Mas tal parece não sossegar os construtores automóveis que não escondem a sua preocupação.

“Não sei se tal será viável [os acordos comerciais com a UE], mas estamos dispostos a tentar porque é uma necessidade. Não temos condições para ficar sem um acordo comercial até ao final do ano. Seria uma ameaça séria ao nosso futuro no Reino Unido”, afirmou Mike Hawes da SMMT (Society of Motor Manufacturers and Traders – Sociedade de Fabricantes e Comerciantes Motores) à BBC.

Hawes teme que a autonomia do Reino Unido dê origem a uma série de novas regras para a compra de matérias-primas e componentes utilizados na produção de um automóvel: “Existem o equivalente a cinco listas telefónicas de regras que determinam como se produz um automóvel – se se mudar uma dessas regras, será preciso mudar a receita para essa produção”, explicou o responsável.

Em média, um único veículo precisa de aproximadamente 30 mil peças para serem montadas. Alguns desses componentes, inclusive, podem passar por diversos países até chegarem à fábrica onde o veículo está a ser montado – o que implicaria um aumento brutal de impostos e atrasos nas alfândegas.

Já para não falar do facto das empresas do Reino Unido poderem estar sujeitas às regras da OMC (Organização Mundial de Comércio) para países fora da União Europeia – tal incluiria, por exemplo, um imposto de 10% sobre cada veículo importado.

Os defensores do Brexit podem alegar que a indústria automóvel do Reino Unido já não tem a mesma força que no passado, mas a verdade é que as fabricantes ainda empregam milhões de pessoas.

Um estudo feito pela IHS Markit estima que a produção de automóveis caia 24% para os 1,36 milhões de unidades em 2020 – para se ter uma ideia, basta recordar que o recorde do setor foi de 1,8 milhão de veículos em 2016, justamente o ano em que os britânicos votaram para deixar a União Europeia.

A Nissan, que tem a maior fábrica de automóveis do Reino Unido – metade da produção das suas instalações de Sunderland é exportada para países da União Europeia – decidiu, no ano passado, deixar de produzir o X-Trail em solo britânico, deixar de fabricar os modelos da Infiniti e ameaça suspender a produção do Qashqai. Despedimentos podem estar no horizonte…

A Jaguar Land Rover, que não esqueçamos, é o maior fabricante de automóveis do Reino Unido, anunciou em janeiro que 500 trabalhadores da sua fábrica de Halewood estavam em risco de desemprego. Há dois anos, a marca já tinha despedido mil pessoas da sua fábrica de West Midlands, ao mudar a produção da nova geração do Land Rover Defender para a Eslováquia (o mesmo país para onde a Land Rover transferiu a produção do Discovery…).

A Jaguar Land Rover realizou investimentos significativos na Inglaterra antes do Brexit, tendo gastado mais de 650 milhões de libras esterlinas na construção de um centro de design em Gaydon. Já a fábrica de Castle Bromwich está a ser totalmente adaptada para a produção de veículos elétricos, já que a Jaguar pretende eletrificar toda a sua gama nos próximos anos. O problema para a JLR é que tantos investimentos podem trazer problemas…

“O investimento está muito concentrado em Inglaterra e isso pode dar à Jaguar uma ‘desvantagem competitiva a longo prazo’. Os recursos destinados a Gaydon foram decididos há anos e agora é demasiado tarde para se voltar atrás”, afirmou Ferdinand Dudenhoffer, diretor do Centro de Pesquisa Automóvel da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha.

Na Aston Martin, os efeitos do Brexit aliados à compra de parte da marca pelo milionário Lawrence Stroll (dono da equipa de F1 Racing Point) já se fazem sentir: o DBX, o primeiro SUV elétrico da Aston Martin está oficialmente em stand by…

A Bentley parece ser a única marca do Reino Unido com um futuro menos ameaçador: faz parte do Grupo Volkswagen, cuja sede fica na Alemanha e conta com diversas fábricas em países da União Europeia. Mesmo assim, a marca não esconde uma ponta de apreensão com o lançamento do novo Flying Spur, que foi desenhado, projetado e construído na sede da Bentley, em Crewe.

“Esse modelo é provavelmente o mais competitivo que alguma vez fizemos uma vez que todos os nossos rivais no segmento são tecnicamente excelentes. É por isso que é importante que não se falhe este lançamento”, afirmou Peter Guest, responsável do projeto Flying Spur.

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