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Humanos e robôs juntos nas fábricas da Nissan

Numa altura em que a Nissan se prepara para criar uma nova geração de automóveis elétricos, inteligentes e conectados, a empresa está a fazer uma série de investimentos para atualizar as suas tecnologias e equipamentos de produção.

 

À primeira vista, estes investimentos em automatização e robótica podem sugerir que a fábrica do futuro será do domínio exclusivo das máquinas e não das pessoas. Na realidade, nada poderá estar mais longe da verdade: a produção continua tão dependente dos seres humanos quanto antes e a tecnologia servirá para melhorar o trabalho destes.

Isto porque a Nissan pretende mais do que simplesmente maximizar a produção num determinado período de tempo. Antes está a olhar para a eficiência com vista a evitar erros, mantendo a qualidade, garantindo que os trabalhadores ficam libertos de tarefas monótonas, e reduzindo o desgaste e a fadiga no trabalho.

Na Nissan, equipas de engenharia completas dedicam-se ao estudo da ergonomia dos postos de trabalho. Para cada processo, analisam a exigência física de determinadas ações (tais como, elevar, alcançar, rodar ou agachar) ou a exigência mental de tarefas que são repetitivas ou exigem concentração permanente. Em seguida, selecionam os processos mais exigentes e apresentam soluções para tornar o trabalho dos operários mais fácil.

Eis apenas alguns exemplos de como a Nissan ajuda os trabalhadores humanos quando estes tornam os mais recentes automóveis numa realidade.

Escolher quando automatizar

Determinados processos da linha de montagem são mais adequados para robôs, particularmente se são simples e repetitivos, mas no entanto relativamente extenuantes para os humanos.

Um exemplo é a instalação de um forro do tejadilho, a camada superior na parte interior do teto de um automóvel. Normalmente, os trabalhadores necessitam de entrar no habitáculo para efetuar este procedimento exigente a nível físico. Esta tarefa tem-se tornado cada vez mais difícil, visto que os automóveis possuem cada vez mais funcionalidades conectadas, o que aumenta o número de dispositivos no interior ou em redor dos forros dos tejadilhos.

A solução da Nissan consiste em utilizar robôs para a introdução do forro do tejadilho pela dianteira do veículo e posterior fixação na devida posição

“A instalação do forro do tejadilho é um trabalho exigente em termos físicos, e está a ficar mais difícil”, refere Kouji Abe, da Nissan, que trabalhou no novo processo automatizado. “A automatização demorou anos a desenvolver e a testar, mas felizmente, podemos agora mudar as pessoas para funções que podem beneficiar mais da experiência humana”.

A automatização também está a melhorar o processo de controlo de qualidade, beneficiando assim a experiência dos clientes da marca. Os técnicos de inspeção nas fábricas da Nissan, no Japão, conseguem aprovar ou reprovar automóveis falando simplesmente para um microfone ligado a um sistema de reconhecimento de voz. Os resultados e outros dados são automaticamente registados, eliminando não só erros, mas também trabalho burocrático moroso e processos desnecessários.

Em mãos seguras com os cobôs

Os robôs industriais que trabalham em tarefas como soldadura e montagem são, habitualmente, mantidos em “gaiolas” por motivos de segurança, devido ao seu tamanho, força e velocidade de movimento.

Pelo contrário, os cobôs (diminutivo de “collaborative robots” em inglês) proporcionam uma solução perfeita para processos em que as pessoas e as máquinas têm de trabalhar em estreita colaboração. Os cobôs são braços robóticos com força e velocidade de movimento limitadas. Para além de serem extremamente ágeis, podem ser facilmente reprogramados para aprenderem novas tarefas.

Na sua unidade de montagem de veículos em Oppama (apresentada acima) e na unidade de grupos motopropulsores, em Yokohama, a Nissan utiliza cobôs UR-10 da Universal Robots para múltiplos processos que exigem elevações frequentes ou movimentos repetitivos, tais como desapertar parafusos ou transportar componentes de motores.

Miyako Shiraishi, um engenheiro de produção da Fábrica de Yokohama, afirma que houve diversos motivos para a escolha de cobôs em detrimento de robôs convencionais.

“Podem partilhar o espaço de trabalho com as pessoas, podemos criar sistemas sem necessidade de vedações de segurança e conseguimos movimentá-los facilmente para os adaptar a mudanças nas nossas necessidades de produção”, explica Shiraishi.

Automatização à moda antiga

Karakuri é uma palavra japonesa para dispositivos que utilizam aparelhos mecânicos, em vez de eletrónicos, hidráulicos ou pneumáticos, para executar uma tarefa. O nome provém originalmente de uma tradição secular de marionetas mecânicas no Japão.

O karakuri envolve soluções inteligentes e inerentemente ecológicas para problemas práticos que envolvem frequentemente ganchos, roldanas e contrapesos para a realização de tarefas. Os fabricantes de automóveis utilizam o karakuri para transportar objetos em longas distâncias ou para garantir que as peças certas para qualquer processo específico são automaticamente entregues aos trabalhadores, tornando as tarefas mais fáceis e mais eficientes.

Todas as fábricas da Nissan utilizam o karakuri sob várias formas e tamanhos. Os engenheiros da empresa estão constantemente a experimentar, desenvolver e testar novos dispositivos. Para os engenheiros, imaginar o karakuri é um exercício lógico e criativo e os dispositivos podem reduzir os custos e melhorar a produtividade, eliminando simultaneamente trabalho braçal e evitando erros.

 

Exosqueletos
Outro exemplo de dispositivos que diminuem o esforço dos trabalhadores são os dispositivos tipo exosqueleto, que estão a ser testados na Fábrica de Barcelona da Nissan. Esta inovação revelou um potencial significativo para melhorar a força e a resistência dos trabalhadores

Os exosqueletos são leves (1,5 a 3 quilogramas) e proporcionam apoio aos ombros e aos braços dos trabalhadores que executam tarefas acima do nível da cabeça particularmente extenuantes. Na Fábrica de Barcelona, têm revelado reduzir a tensão muscular até 60%.

A Nissan utiliza muitas técnicas adicionais para aliviar os esforços dos trabalhadores. Em algumas fábricas, estes sentam-se em “cadeiras ergonómicas” fixas a braços robóticos, que lhes permitem entrar nos habitáculos dos veículos rapidamente e sem esforço. Em alguns casos, a Nissan até redesenhou os próprios veículos para fazer com que a construção dos mesmos seja mais fácil para os trabalhadores.

Todas estas iniciativas se baseiam na firme convicção da Nissan de que os automóveis do futuro, independentemente da sua complexidade, têm de ser construídos por humanos. Os avanços tecnológicos e as soluções de engenharia criativa do construtor japonês estão agora a permitir garantir que os seus trabalhadores têm um desempenho de acordo com as suas melhores capacidades, e que as exigências físicas do seu trabalho são minimizadas.

 

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