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Lisboa: Misericórdia ao lado de Medina nas restrições ao trânsito

A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia (PS) defendeu esta quinta-feira que as restrições ao trânsito na Baixa de Lisboa vão melhorar a qualidade de vida de residentes e trabalhadores, mas manifestou reservas quanto ao período de cargas e descargas.

Carla Madeira falava na primeira sessão pública de apresentação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER) – em consulta pública a partir desta sexta-feira – que decorreu na Junta de Freguesia da Misericórdia, numa sala cheia.

Outro aspeto negativo apontado pela presidente da junta diz respeito à questão da entrada e estacionamento de 10 visitas por mês por residente, tendo sugerido a criação de um banco de horas “para que cada morador possa dispor de um conjunto de horas ao longo do mês”. Para Carla Madeira, o “essencial é melhorar a qualidade de vida” dos moradores, acrescentando que em dias de manifestação ficam “completamente encurralados” em casa.

Já o presidente da Câmara de Lisboa admitiu abandonar a ideia de atribuir aos moradores da Zona de Emissões Reduzidas da Baixa dez “convites” mensais para permitir o estacionamento de familiares ou amigos, se “não for muito pacífico”.

Se houver muitas dúvidas, a proposta cai“, afirmou Fernando Medina, durante uma sessão pública na freguesia de Santa Maria Maior sobre o projeto. A alternativa, adiantou, será criar um sistema similar ao que existe nas zonas de acesso condicional do Bairro Alto e do Castelo, em que apenas é permitido o acesso automóvel de moradores e veículos autorizados.

Recorde-se que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (PS), apresentou em janeiro a nova ZER Avenidas/Baixa-Chiado, que prevê que o trânsito automóvel nessa área passe a ser exclusivo para residentes, portadores de dístico e veículos autorizados, entre as 6h30 e as 00h00, a partir do verão. As cargas e descargas, dentro da ZER, a partir de 1 junho, estão autorizadas apenas no período entre as 00h00 e as 6h30.

Durante a apresentação do plano por parte do presidente do município, vários moradores tentaram intervir, tendo Fernando Medina pedido respeito “por quem trabalhou” no projeto e apontando o dedo a “sorrisos jocosos de quem não trabalhou (…) para nada“.

Relativamente ao Aeroporto de Lisboa e ao Terminal de Cruzeiros, Medina referiu que, mesmo sem estas infraestruturas, a cidade continuava “a ter de resolver um problema associado à poluição automóvel”.

Terminada a sua apresentação, vários moradores expressaram dúvidas, nomeadamente sobre que ruas ficarão condicionadas ao trânsito, a questão das visitas e também o porquê de limitar o acesso dos operadores de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE) a veículos elétricos, enquanto os táxis podem continuar a circular sem restrições.

Fernando Medina respondeu que “a lei trata os Uber de forma diferente dos táxis“, não havendo um contingente para os primeiros, ao contrário do que há para os segundos, defendendo que “nas cidades onde se permitiu a circulação de Uber, ao fim de pouco tempo”, ficaram “congestionadas na mesma”.

Sobre a limitação de ‘tuk-tuk’ a operar na Baixa, levantada por agentes turísticos presentes na sala, o presidente da câmara garantiu estar disposto a discutir a questão com as associações do setor, mas defendeu ser necessário “colocar alguma limitação“.

Um munícipe denunciou ainda o tráfico de droga existente no Largo do Calhariz e a ocorrência de assaltos, ao que Medina respondeu estar à espera de autorização do Ministério da Administração Interna e da Comissão Nacional de Proteção de Dados para a instalação de câmaras de videovigilância.

A ZER abrange parte das freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia e Santo António, sendo delimitada a norte pela Calçada da Glória, Praça dos Restauradores e Praça do Martim Moniz, e a sul pelo eixo formado pelo Cais do Sodré, Rua Ribeira das Naus, Praça do Comércio e Rua da Alfândega.

Esta zona de emissões reduzidas é delimitada a nascente pela Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Rua da Madalena e Campo das Cebolas, e a poente pela Rua do Alecrim, Rua da Misericórdia, Rua Nova da Trindade e Rua de São Pedro de Alcântara.

(com Lusa)

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