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Minas de lítio em Portugal: A investigação da Reuters

A corrida aos veículos elétricos está a ameaçar os prados verdejantes onde pastam as ovelhas de Paulo Pires – a denúncia é feita pela Reuters que publicou esta sexta-feira  uma investigação sobre a exploração de lítio em Portugal, que levou duas jornalistas da agência noticiosa a Boticas, no distrito de Vila Real.

“Se o meu sustento me for retirado, não terei futuro noutro local”, contou Paulo Pires, um dos moradores afetados pela vontade de quem quer fazer buracos no chão em busca de lítio – componente necessário ao fabrico de baterias utilizadas em carros eléctricos, smartphones e armazenamento de energia. Segundo a Reuters, Portugal soma reservas de 60 mil toneladas de lítio.

No entanto, sublinha, os cidadãos de Boticas estão prontos para lutar contra a exploração, o que poderá ter consequências para o Governo. “A crescente oposição de grupos locais, que detêm e gerem áreas rurais, à exploração de lítio pode significar um impasse para os mineiros que poderão procurar apoio do Governo para a expropriação das terras”, escrevem as repórteres da Reuters.

A agência noticiosa sublinha ainda o impacto que as decisões do executivo de António Costa poderá ter a nível internacional. Embora as reservas de Portugal sejam modestas face às da Austrália ou Chile, por exemplo, desempenham um papel fundamental no continente europeu.

Um porta-voz da Comissão Europeia afirma que ter acesso às reservas de lítio na comunidade é importante para o mercado dos veículos elétricos – uma vez que ajudará a diminuir a dependência de importações.

Em Portugal, o lítio extraído tem como destino quase exclusivo a indústria da cerâmica. No ano passado, foram produzidas cerca de 1200 toneladas de lítio em território nacional, ocupando o primeiro lugar na lista de maiores produtores europeus.

Para ajudar a aumentar a operação, já há empresas como a britânica Savannah Resources e a portuguesa Lusorecursos a pedir licenças – a primeira aponta a Boticas, a segunda a Montalegre. Ambas esperam por luz verde para avançar.

No entanto, mesmo que o Governo aprove as novas explorações, existem movimentações a nível local no sentido inverso: pelo menos cinco autarquias aprovaram moções contra a exploração de lítio nos seus territórios. Foi também criado um manifesto nacional contra a estratégia do Governo neste sentido.

A Reuters indica que está a ser preparada uma nova lei que aperta as regras para futuras licenças. O rascunho estará neste momento a ser analisado em parceria com autoridades locais. Do lado do Governo e das empresas, a exploração de lítio é vista como uma forma de criar riqueza e emprego. O ministro da Economia afirma mesmo que o lítio é crítico para o futuro da economia verde.

Do lado das comunidades, é encarada como um meio de destruição de territórios actualmente usados para caça ou agricultura: “Uma das nossas montanhas irá simplesmente desaparecer. Será cortada ao meio. O impacto será brutal”, contou Fernando Queiroga, presidente da Câmara de Boticas.

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