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#Ensaio – Mercedes-Benz E300e – Pegada ecológica

As versões híbridas do Mercedes Classe E incluem um sistema que, além do motor elétrico, também contam com um motor de combustão a gasolina ou diesel. A sigla em capicua E300e significa que se trata da primeira opção.

Com mais um ano a começar, ou mesmo uma década, se preferir, damos início a um momento que tem prometidas muitas novidades e alterações para o mundo automóvel. Há diversos novos modelos a chegar ao mercado, mas também novas normas, impostos e sanções que penalizam os construtores que ainda não constroem carros perfeitos. Continuamos a ouvir falar sobre diversas novas ideias que nos vão trazer, eventualmente, algo de positivo, útil e concreto para este mesmo mundo automóvel num futuro próximo, mas que teimam em não se transformar em realidade.

Para já, não consigo deixar de associar a escolha de um novo modelo ou solução ecológica a um concurso televisivo apresentado por uma personagem tipo Joker, que se ri de nós sempre que fazemos uma escolha, pois todas parecem acertadas e ao mesmo tempo erróneas. E claro que as imagens que me vão passando pela cabeça não esquecem uma adolescente de cara zangada, aos gritos com o mundo, dizendo que lhe roubámos a infância por conduzir um carro alimentado por combustíveis fósseis, enquanto viaja de continente em continente num iate.

Independentemente de todas as questões que estão relacionadas com a produção dos componentes que fazem parte de um sistema híbrido, desde a extração do lítio para as baterias até à reciclagem e utilização das mesmas dentro de uns anos, mas sem esquecer que nesta versão deste Classe E também é usada gasolina e são emitidos gases poluentes, ainda que numa quantidade muito inferior do que nas versões que não incluem a percentagem de utilização elétrica, vão sempre existir questões ecológicas e pessoas que vão encontrar argumentos que soam mais certos do que outros. Mais do que tudo, no entanto, é necessário estarmos mais focados no presente e menos naquilo que o futuro nos poderá trazer.

E nesse caso, se nos esquecermos dos quase 70 mil euros que custa, damos por nós embrenhados com todos estes pensamentos ecológicos, sentados ao volante do Mercedes-Benz E300e a pensar que este poderá ser, apesar de tudo, um carro perfeito. O interior é bastante espaçoso, a posição de condução é quase perfeita e a qualidade a bordo está num patamar mais elevado do que em diversos outros automóveis. Os assentos em pele e a excelente posição de condução oferecem um conforto cativante, que nos deixa mais tranquilos mesmo antes de arrancarmos.

E todo o equipamento que encontramos à nossa volta, consegue fazer com que até se percam uns minutos ou mesmo umas horas a apreciar cada um dos detalhes do interior deste Classe E, desde o sistema de iluminação personalizável, até ao sistema de som desenvolvido pela Burmester, passando por todas as soluções de conectividade que este modelo já inclui. Os únicos detalhes que distinguem esta versão híbrida das restantes, além das siglas, está mesmo na bagageira, uma vez que ainda é necessário roubar um pouco do espaço disponível neste compartimento para conseguir encaixar a bateria destinada a alimentar o sistema elétrico.

Depois, se tivermos garantido um ponto de carregamento do sistema elétrico em casa, podemos ir para o trabalho e regressar sem sequer usar o motor de combustão, usando os mais de 50 quilómetros de autonomia puramente elétrica e colocando de parte a obrigatória deslocação à bomba da gasolina, a menos que consiga esgotar a quantidade de combustível que tem no depósito, destinada a alimentar o motor que pode usar apenas nos fins de semana, quando for passear com a família. E feitas as contas, isto pode ser bastante positivo para o orçamento mensal, uma vez que apenas tem de pensar no acréscimo de preço que os carregamentos poderão ter na conta da eletricidade lá de casa.

Por outro lado, se o custo do combustível não for um grande problema, o sistema híbrido do Classe E também lhe permite usar uma percentagem de potência do motor de combustão para carregar as baterias do sistema elétrico enquanto viaja em autoestrada, por exemplo, para poder circular totalmente em silêncio e sem emissões poluentes assim que entra em cidade. Até porque há diversas pessoas que percorrem diariamente mais do que os 50 quilómetros de autonomia em modo puramente elétrico. Claro que esta opção lhe vai custar uns dois litros de combustível a cada 100 quilómetros, segundo os valores indicados pelo computador de bordo, mas também vai contribuir para que ajuste o seu modo de condução e tente obter a média de consumo mais reduzida de sempre, quase como se fosse um jogo.

Os híbridos plug-in da Mercedes-Benz são um sistema tão eficiente, que já representam uma enorme percentagem das tabelas de vendas da marca, principalmente neste segmento. O sistema que utiliza a gasolina ainda poderá não ser tão procurado como o que nos permite colocar gasóleo no depósito de combustível, mas a verdade é que a capacidade que o sistema elétrico tem de fazer deslocar o Classe E pelos dias da semana sem precisar da ajuda do motor de combustão, é que o torna uma excelente escolha para quem deseja entrar da melhor forma neste mundo dos híbridos.

VEREDICTO
O sistema híbrido plug-in do Mercedes-Benz Classe E consegue fazê-lo deslocar pela sua rotina diária sem sequer acordar o motor a gasolina. A não ser que entre em autoestrada ou prefira guardar a eletricidade armazenada para mais tarde. O preço é um pouco elevado, mas toda a tecnologia e qualidade presentes justificam este valor.

FICHA TÉCNICA

Mercedes-Benz E300e

MOTOR: 4 cilindros em linha; injeção direta; Cilindrada (cm3): 1.991; Potência máxima combinada do sistema híbrido (cv/rpm): 320/4.500-5.500; Binário máximo (Nm/rpm): 700/1.200-4.000; TRANSMISSÃO: Tração traseira; Caixa automática 9G-Tronic de 9 velocidades; Suspensão (fr./tr.): Independente, multibraços; Independente, multibraços; DIMENSÕES: Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.923/1.852/1.475; Distância entre eixos (mm): 2.939; Largura de vias (fr./tr.) (mm): 1.594/1.577; Travões (fr./tr.) Discos ventilados/Discos ventilados; Peso (kg): 2.005; Capacidade da bagageira (l): 450; Depósito de combustível (l): 50; Pneus (fr./tr.): 245/45 R18 – 275/40 R18; PRESTAÇÕES: Aceleração de 0-100 km/h (s) 5,7; velocidade máxima (km/h) 250; CONSUMOS: Combustível – urbano/extraurbano/combinado (l/100 km): n.d./n.d./1,5; Emissões de CO2 (g/km) 35; Energia – combinado (kWh/100 km): 16,8;

PREÇO (versão base): 67.500 euros
PREÇO (unidade ensaiada): 72.253 euros

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