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Componentes automóveis com quebra de 50% em março

O setor de componentes automóveis está a ter uma quebra de produção de 50% este mês e antecipa um cenário de paragem quase total para abril e maio, com descidas de 90%, anunciou esta segunda-feira a AFIA, associação que representa os fabricantes da fileira.

“As vendas de automóveis estão em queda acentuada. Os grandes cortes na produção de automóveis, – na União Europeia as fábricas automóveis estão paradas -, obrigam os fornecedores a considerar mudanças drásticas. Esta situação é um culminar de fortes pressões sobre as empresas em geral, e em particular para as portuguesas, caracterizada por uma redução de encomendas”, refere a associação citada pelo Expresso.

O “severo impacto na atividade” traduz-se no curto prazo num corte de 50% na produção de março, mas a descida deverá agravar-se até aos 90% em abril e maio, indicam as primeiras projeções da associação.

A recuperação só é esperada para novembro, acrescenta. “Contudo, não chegará aos números de 2019. Para a totalidade do ano de 2020 é projetada uma descida de 30% no volume de negócios, o que se traduz, numa diminuição de 3,5 mil milhões de euros face aos valores registados no ano passado”, antecipa.

Recorde-se que o setor dos componentes automóveis representa 6% do PIB, 8% do emprego da indústria transformadora e 16% das exportações nacionais de bens transacionáveis. E quando divulgou os números das exportações em janeiro (+7,8%), a AFIA já tinha avançado ao Expresso preocupações sobre o desempenho das empresas do sector a partir de março, mantendo, no entanto, uma expetativa positiva para fevereiro.

Nas contas da AFIA para para 2020, o volume de negócios ficará nos 8,5 mil milhões de euros, sendo que no ano passado o setor vendeu 12 mil milhões de euros.

E feito o diagnóstico, a AFIA solicita ao Governo “medidas urgentes, flexíveis e eficazes”, da criação de uma linha de crédito específica à alteração do regime de lay-off:

– Criação de uma linha de crédito específica para as empresas deste sector (o que não foi considerado, surpreendentemente, na apresentação de ontem efetuada pelo Governo, sobre as medidas económicas);

– Alteração do regime de lay-off, de modo a permitir o acesso imediato a este regime para as empresas que tenham tido uma quebra de faturação superior a 40% nos últimos trinta dias, mas medidos depois do final do período pedido para o lay-off e comparando com a média mensal dos últimos 2 meses anteriores a esse mesmo período, devendo, resultar claro deste regime a possibilidade de lay-off parcial e, ainda, pela alteração do regime de férias de modo a permitir, desde já, a sua marcação.

– Criação de medidas de proteção dos postos de trabalho.

Só assim, diz a associação liderada por José Couto, é possível atenuar a crise e ” manter a competitividade, após este período, logo que se verifique a retoma gradual da economia. Caso contrário, o cenário é de “redução drástica dos investimentos e encerramento de empresas ou unidades de produção, com consequências graves na economia e sociedade”.

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