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Como vai ser o carro do futuro?

A indústria automóvel está envolvida no maior upgrade de que há memória. Muito diferente dos modelos de hoje, o carro do futuro será elétrico, autónomo, conectado e com uma construção totalmente nova.

A última década pode caracterizar-se como um verdadeiro tsunami no que diz respeito à indústria automóvel. Os padrões tradicionais implodiram perante uma revolução digital que leva à reinvenção da arquitetura do hardware e do software dos veículos. E é bem possível que, num espaço de poucos anos, os carros venham a ser completamente diferentes daqueles que temos hoje.

O carro elétrico

A eletrificação foi o primeiro fenómeno a transformar os automóveis. Quando foi introduzida pela primeira vez, a ideia era que servisse para utilizações específicas, nomeadamente veículos de transporte público nas grandes cidades, com objetivos de eficiência e ganhos ambientais. No entanto, contra estas previsões iniciais, os carros elétricos começaram a emergir como um must-have para todos os segmentos do mercado.

Hoje já existem inúmeros avanços tecnológicos nos carros elétricos, e as suas principais fragilidades – baixa autonomia e desempenho variável em estrada – já não se aplicam desde que a Tesla alavancou o mercado com modelos que podem percorrer até 600 quilómetros antes de precisarem de um carregamento da bateria.

A tendência da eletrificação tem sido igualmente reforçada pelas obrigações ambientais de reduzir a emissão de partículas e de gases de efeito estufa. Nos próximos anos, os cada vez mais potentes motores híbridos ou elétricos irão, gradualmente, substituir o tradicional motor de combustão interna.

O carro autónomo

É esta a mais espetacular das revoluções. Um carro capaz de se conduzir sem intervenção humana. Segundo Pascal Brier, vice-presidente do Grupo Altran para a Estratégia, Inovação e Soluções, «este desenvolvimento será feito por etapas: começamos por conduzir sem pés, depois sem mãos, e eventualmente sem olhos». 

As duas primeiras etapas estão, hoje mesmo, atingidas. O sistema de cruise control já não é nenhuma novidade no mercado automóvel e permite aos condutores definir uma velocidade de cruzeiro e remover os pés dos pedais. Além disso, alguns modelas já incluem sistemas de assistência ao condutor que tornam possível largar o volante em situações específicas de trânsito ou estacionamento.

O próximo passo é a autonomia integral. Os cientistas e engenheiros estão a trabalhar no sentido de substituir os olhos humanos por múltiplas câmaras, sensores e lasers que reproduzam o meio envolvente em 3D e permitam ao veículo tomar decisões autónomas de navegação. O muito famoso Google Car popularizou o conceito e fez com que muitos fabricantes da indústria começassem a olhar para a autonomia de forma mais séria, estando já hoje alguns protótipos em fase de testes de estrada.

O carro conectado

O carro do futuro estará conectado a outros objetos e seres humanos. Para conquistar a total autonomia e serem capazes de tomar as decisões certas, os carros terão de conseguir analisar um conjunto de informação do mundo exterior: a intensidade do trânsito, o estado do tempo, as condições do veículo, as áreas de serviço, os acidentes nas redondezas, etc. Possivelmente através de sensores, cada carro poderá vir a ser dotado da capacidade de comunicar com outros veículos e com infraestruturas de trânsito. Além disso, serão disponibilizados serviços online aos passageiros: wi-fi, cloud, media e entretenimento, entre outros.

Na opinião de Pascal Brier, isto implica uma total mudança de paradigma porque «os carros estão a tornar-se um local à parte para o consumo de serviços». Basta imaginas que uma viagem de carro com uma duração de algumas horas pode tornar-se uma oportunidade para responder a e-mails, ver o último filme lançado no cinema ou fazer videochamadas com amigos.

Um novo método de construção

Se o resultado final – o carro – parece futurista, imagine as mudanças que terão de ocorrer a nível da própria indústria. Daqui a alguns anos, as fábricas de automóveis que temos hoje parecerão completamente obsoletas, visto que toda a arquitetura de hardware e software automóvel está a ser redesenhada.

Por um lado, a carroçaria está a mudar para ser capaz de incorporar novas tecnologias, tais como compostos mais leves e materiais impressos em 3D. Por outro, para garantir a conetividade do veículo terão de ser integrados numerosos dispositivos inteligentes, como computadores, câmaras, centros de informação e entretenimento, etc.

Em conclusão, o carro do futuro, construído de acordo com o novo modelo, será elétrico, autónomo e conetado. E isto trará uma série de vantagens à sociedade: menos poluição, mais segurança, mais tempo livre e mais serviços. 

Até lá, existem ainda muitos desafios a superar – tecnológicos, industriais e legislativos -, mas a transição já está em andamento e o fenómeno vai acelerar nos próximos anos. Muitos players estão já a embarcar nesta aventura – fabricantes de automóveis e equipamentos, fornecedores de serviços, operadores de telecomunicações e gigantes tecnológicos. Todos a olhar para um futuro de portas abertas à inovação tecnológica.

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