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Como a Volkswagen tornou o Wolfsburgo num dos ‘grandes’ do futebol

Se é adepto do futebol saberá que o Wolfsburgo, um dos clubes de maior destaque nos anos recentes na Liga Alemã, tem uma forte ligação à Volkswagen. Na verdade, trata-se de uma relação umbilical, o que não surpreende tendo em conta que a própria cidade que acolhe os lobos foi construída propositadamente em 1938 para albergar os operários que iriam trabalhar na futura fábrica da Volkswagen, para produzir o agora icónico Volkswagen Beetle.

Inicialmente batizada Stadt des KdF-Wagen (Cidade dos Carros), a cidade de Wolfsburgo teria o seu nome alterado logo após a Segunda Guerra Mundial. Em 1945, sete anos depois da edificação desta nova cidade, nasce o VSK Wolfsburg, pelas mãos dos colaboradores da Volkswagen, que viram na prática desportiva e nos palpites de futebol um escape para os problemas trazidos pela guerra.

Num contexto difícil, em que a cidade tinha sido deixada em escombros, e sabendo que a existência de um jornal citadino não era permitida pelas autoridades politicas de então, a angariação de equipamentos teve de ser feita recorrendo a métodos inusitados, mas francamente práticos…

Arranque atribulado

Rudolf Zenker, o sócio número 1 do clube, percorreu a cidade com um altifalante no seu carro, desafiando todos os cidadãos locais a doarem qualquer equipamento desportivo que tivessem nas suas casas. Sabendo que os materiais desportivos eram um bem escasso no pós-guerra, foram ainda recolhidos vários exemplares na fábrica da Volkswagen, de modo a garantir que os jogadores tinham chuteiras e bolas de futebol para treinar.

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O arranque do Wolfsburgo não foi o mais auspicioso, já que ainda no final do primeiro ano os operários da Volkswagen estiveram prestes a dar por terminada a aventura, depois de todos os seus jogadores terem desertado para o rival 1. FC Wolfsburg. Todos, menos Josef Meyer, que sozinho conseguiu manter o clube, contratando novos jogadores. Depois deste sobressalto inicial e durante praticamente toda a segunda metade do século XX, o Wolfsburgo foi tendo um percurso tranquilo pelas divisões secundárias Alemãs, vencendo alguns títulos regionais ao longo desses anos.

Uma entrada com o pé direito no novo milénio

Ainda na última década do século XX, viveu-se um momento que viria a ser decisivo para o futuro do Wolfsburgo. Enquanto acionista maioritário, a Volkswagen decidiu que era tempo de fazer crescer o clube da sua cidade natal para patamares que poucos acreditavam serem possíveis alcançar. O futebol, enquanto espetáculo que atrai e aproxima milhares de pessoas e como negócio em franco crescimento, ganhou cada vez maior relevância na comunicação da multinacional alemã, que viu na ligação com o Wolfsburgo, um canal importante para transmitir os valores e princípios fundamentais da marca.

Para levar esta missão a bom porto, a Volkswagen destacou Peter Pander, um dos seus colaboradores, que rapidamente tratou de profissionalizar o clube de uma ponta à outra.

Com o crescente envolvimento da Volkswagen na vida do clube, o plantel do Wolfsburgo foi tendo cada vez melhores condições de trabalho. No entanto, a época de 1995/1996 funcionou como um aviso à tripulação. Só seria possível alcançar feitos importantes com o trabalho árduo e com o esforço diário de todos os jogadores e equipa técnica. No final da primeira metade desta temporada, o clube encontrava-se no fundo da tabela classificativa da Bundesliga. Aproveitando a tradicionalmente prolongada pausa de dois meses durante o inverno, o treinador Willi Reimann conseguiu preparar o grupo para um regresso épico à competição. Os 18 jogos consecutivos sem conhecer a derrota garantiram a manutenção na principal divisão do futebol alemão e serviram de alerta à concorrência. O Wolfsburgo estava a crescer.

Com uma casa nova, rumo ao topo

Como prova de confiança no projeto do clube, a Volkswagen decidiu investir na construção de um novo estádio, permitindo assim que a equipa tivesse à sua disposição um dos melhores e mais modernos recintos desportivos do futebol alemão. Substituindo o VFL-Stadion am Elsterweg, que acompanhava o clube quase desde a sua criação, a Volkswagen Arena foi inaugurada em 2002 e conta com uma capacidade de 30 mil lugares. Fruto das boas campanhas desportivas dos lobos, tem conseguido atingir médias de assistência acima de 95%.vw arena

Em 2004, Peter Pander, um dos pais fundadores do futebol profissional no Wolfsburgo, decidiu afastar-se do leme do clube, depois de ter ajudado a transformar uma equipa regional num dos clubes de referência do futebol alemão. Mas o seu legado ficou garantido.

Em 2007, depois de garantir a profissionalização de todos os serviços do clube e de ter dotado o plantel com as melhores condições de trabalho possíveis, a Volkswagen sentiu que o passo seguinte teria de se focar em trazer mais qualidade ao plantel e ao staff do clube. A contratação do premiado e anterior técnico do Bayern Munique, o controverso Felix Magath, foi a primeira medida nesse sentido.

Magath surgiu no clube com os seus métodos de treino fisicamente exigentes e inovadores, que lhe valeram a alcunha de “’Quälix’ (deriva da palavra alemã para tortura), acabando por ser o timoneiro que o clube precisava para dar o passo final rumo ao sucesso.

Na época de 2008/2009, quase uma década depois da promoção à Bundesliga, os lobos chegaram ao topo do futebol alemão. A partida de alguns atletas importantes foi superada com a contratação de novos jogadores de grande qualidade. À dupla de ataque composta por Grafite (28 golos) e Edin Džeko (26 golos), juntaram-se o médio ofensivo Misimović (20 assistências) e o guarda-redes Diego Benaglio, todos eles determinantes para a conquista do tão desejado título. O nome de Benaglio não deverá passar despercebido aos Portugueses, tendo sido um dos jogadores que passou pelo nosso campeonato antes de se transferir para a Alemanha.

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O envolvimento entre o clube e a multinacional Alemã foi também sendo cada vez mais visível fora do campo, com a presença de alguns jogadores em spots publicitários e nos lançamentos de novos carros da marca, como foi o caso do Brasileiro Diego, que esteve no Salão de Paris em 2010, aquando da apresentação do novo Passat.

Depois do título de 2009, o Wolfsburgo viveu épocas de menor êxito desportivo, alcançando classificações de menor destaque. No entanto, a conquista da Taça da Alemanha e o 2º lugar conquistados na época de 2014/2015 (época em que se cruzaram com o Sporting na Liga Europa), vieram demonstrar que os lobos estão de volta à luta pelos lugares cimeiros do futebol germânico.

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