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#Ensaio – Ford Focus ST 2.3 EcoBoost – Dança da chuva

Há povos que acreditam que se dançarmos de uma forma específica, conseguimos provocar chuvas suficientes para as colheitas. Não sei se foi isso que aconteceu com o Focus ST nos dias em que andámos com ele, mas a chuva veio em força.

Todos sabemos que a versão mais desportiva do Ford Focus é o RS, aquela de apêndices aerodinâmicos generosos, tração integral e mais de 300 cavalos de potência. Mas na nova gama deste modelo, ainda não se ouvi falar nessa sigla. Para já, é o Focus ST que ocupa o lugar da opção mais desportiva disponível e podemos dizê-lo que o faz muito bem.

Desde que iniciou a sua atividade e ficou responsável pelas opções mais desportivas da marca americana, a Ford Performance apenas nos tem surpreendido pela positiva. É quase como se tivesse sido contratada uma (boa) equipa para fazer todas aquelas coisas que ficam para segundo plano quando se tenta projetar um modelo que maximize o lucro da empresa. E assim, depois de modelos como o GT, o novo Mustang e versões desportivas como o Focus RS ou o Fiesta ST, é altura a altura de conhecermos a versão ST do novo Ford Focus.

Os pontos positivos começam mesmo antes de sairmos da garagem da Ford. Assim que nos sentamos a bordo, os assentos da Recaro deixam-nos perfeitamente encaixados em frente ao volante e assim que premimos o botão para ligar o motor, a banda sonora proporcionada pelas saídas de escape ganha ainda outra dimensão nesta acústica de garagem. Logo nos primeiros metros, percebemos que a resposta ao acelerador é rápida e que vamos passar bastante tempo a tentar gerar o máximo de notas musicais através do sistema de escape.

Seja como for, estamos mesmo no centro de Lisboa e parados em semáforos vermelhos na maior parte do tempo. Aproveitamos para ligar o telefone ao sistema do carro, através das funções Android Auto ou Apple CarPlay e para descobrir que a unidade de ensaio está equipada com o sistema de estacionamento automático, com o sistema de som da Bang&Olufsen e com dois botões específicos no volante, que dão acesso aos modos de condução mais desportivos.

O volante em pele tem uma boa pega e uma base plana, com é hábito nas versões de atitude mais desportiva e o painel de instrumentos ainda conta com quatro mostradores analógicos e com o visor do computador de bordo ao centro, com diversas informações da viagem, bem arrumadas num único ecrã.

Felizmente, o transito dissipa-se e saímos de Lisboa para norte, por estradas que bem conhecemos e a uma hora em que ainda não são muito usadas por outros condutores. O chassis do Focus ST parece preciso, exato e muito informativo, deixando-nos perceber tudo aquilo que os principais componentes se encontram a fazer. Podemos mesmo usar aquele cliché do “ler a estrada”, uma vez que é justamente isso que o Focus ST nos está a mostrar que consegue fazer com facilidade, passando de uma curva para a outra, sem movimentos exagerados da carroçaria e com ambos os eixos a seguirem a trajetória desejada.

Ao contrário do Focus RS, a versão mais potente e desportiva que apenas conhecemos na anterior geração deste modelo, o Focus ST tem tração apenas às rodas da frente, obrigando-nos a dosear melhor o pedal do acelerador e os 280 cavalos de potência desta vertente do conhecido bloco EcoBoost de 2,3 litros da Ford, que recebeu alguns mimos da Ford Performance. Completamente indiferente ao que se passa no eixo dianteiro, o eixo posterior limita-se a acompanhar o ritmo até com um pouco de indiferença, perdendo apenas a compostura quando o começamos a provocar a meio de uma curva, ora com uma dose exagerada de potência e ângulo de direção, ou com um levantar de pé provocatório, muito divertido, mas pouco eficaz.

As jantes de 19 polegadas são oferecidas com o equipamento de série no mercado nacional, mas o Pack Performance que estava presente na unidade ensaiada ainda é uma opção. Inclui o Launch Control e o indicador de mudança engrenada, mas também a otimização automática de regime nas reduções e os modos de condução. E por falar nisso, está na hora de escolher o mais desportivo, ainda que o computador de bordo nos indique que deve ser apenas usado em pista. A suspensão fica bem mais firme, tal como a direção, mas os 280 cavalos parecem ter acabado de sair do ginásio e ainda se encontram cheios de adrenalina, devorando todo este serpentear de curvas tal com se estivesse a efetuar uma dança da chuva.

Pelo menos, foi com esta ideia que ficámos, uma vez que depois deste momento, a chuva começou mesmo a cair e só aliviou no dia em que fomos entregar o Focus ST novamente na garagem da Ford. À chuva, consegue ser ainda mais divertido de conduzir, mas apenas no modo de condução Sport, situado entre o normal e o destinado à pista. Mas mesmo com uma enorme dose de chuva, o Focus ST mostrou-nos que é uma daquelas máquinas de condução feitas para apaixonar quem está ao volante, mas que também consegue fazer parte do dia-a-dia de uma pequena família, sem grandes penalizações em termos de conforto e espaço.

Sem qualquer extra adicionado, o seu preço fica perto dos 43 mil euros, mas há extras que não vai querer dispensar, tais como este Pack Performance, o sistema de iluminação em LED e o sistema de som da B&O. De série, podemos contar com uma carroçaria cheia de vincos, mas muito cativante, com uma altura mais reduzida que as versões mais convencionais do Focus e que casam na perfeição com as jantes de 19 polegadas e com o tom Grafite escolhido para a carroçaria.

VEREDICTO
Um desportivo de tração dianteira eficaz e eficiente, com uma dinâmica capaz de seduzir quem o conduz. Não é o mais arrojado de todos os Focus, mas é um excelente compromisso para quem gosta de conduzir e manter a praticabilidade de um carro de família. O motor Ecoboost de 2,3 litros e 280 cavalos é um dos seus principais trunfos, mas toda a afinação do chassis é que o tornam mesmo num modelo especial.

FICHA TÉCNICA

Ford Focus ST 2.3 EcoBoost

MOTOR: 4 cilindros em linha; injeção direta com turbo; Cilindrada (cm3): 2.261; Potência máxima (cv/rpm): 280/5.500; Binário máximo (Nm/rpm): 420/3.000-4.000; TRANSMISSÃO: Tração dianteira; Caixa manual de seis velocidades; Suspensão (fr./tr.): Independente, tipo McPherson; Independente, multibraços; DIMENSÕES: Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.388/1.825/1.458; Distância entre eixos (mm): 2.700; Largura de vias (fr./tr.) (mm): 1.567/1.556; Travões (fr./tr.) Discos ventilados/Discos; Peso (kg): 1.508; Capacidade da bagageira (l): 375; Depósito de combustível (l): 52; Pneus (fr./tr.): 235/35 ZR19; PRESTAÇÕES: Aceleração de 0-100 km/h (s) 5,7; velocidade máxima (km/h) 250; CONSUMOS: urbano/extraurbano/combinado (l/100 km): 10,8/6,2/7,9; Emissões de CO2 (g/km) 187;

PREÇO (versão base): 42.603euros
PREÇO (unidade ensaiada): 49.046 euros

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