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O primeiro carro do seu filho vai ser elétrico

Se é um pai (ou uma mãe) recente, parabéns! Possivelmente a sua criança vai viver num mundo mais sustentável do que aquele que temos hoje.

Daqui a duas décadas, as crianças que nasceram neste estranho ano 2020, num mundo confinado por uma pandemia, estarão a comprar um carro pela primeira vez – e segundo indicam os especialistas, é muito provável que seja um elétrico.

Apesar da queda gigante nas vendas de automóveis que é expectável que se venha a confirmar este ano, um novo estudo da BloombergNEF sugere que a adopção de veículos elétricos vai, finalmente, ganhar impulso. Segundo as previsões anuais desta consultora, 58% dos novos automóveis ligeiros de passageiros serão elétricos em 2040, em forte contraste com os modestos 2% que temos hoje. Com este crescimento, os carros elétricos irão representar uma fatia de 31% do parque automóvel mundial.

No entanto, até chegarmos a esta realidade, há uma estrada longa (e sinuosa) a percorrer. A começar por este mesmo ano. Segundo um relatório publicado em abril pela Wood Mackenzie, uma consultora norte-americana, prevê-se uma queda de 43% das vendas de veículos elétricos em 2020, um fortíssimo revés que acontece pelos motivos conhecidos, mas por coincidência, no ano em que se esperava um crescimento significativo deste segmento do mercado automóvel. A BloombergNEF é mais otimista no que diz respeito a estes números – talvez porque o seu estudo foi divulgado mais tarde – e prevê que o “afundanço” se fique pelos 18%, o que sendo melhor, continua a ser uma enorme machadada na indústria.

A pandemia de Covid-19 representa, assim, um interregno numa década de crescimento do mercado automóvel, que ainda não se sabe quanto tempo vai durar. Com o confinamento dos meses de março e abril, as fábricas foram forçadas a fechar e a suspender a produção para ajudar a conter o vírus, o que necessariamente adia o lançamento de alguns veículos elétricos muito antecipados, como o novo Chevy Bolt ou o GMC Hummer elétrico. A juntar a estes adiamentos, o preço do petróleo atingiu valores impressionantemente negativos, o que segundo alguns analistas poderia fazer com que os custos dos carros elétricos se tornassem mais altos face aos combustíveis fósseis. É claro que, a menos que haja surpresas ainda maiores num tempo de grandes estranhezas, o preço dos combustíveis não deverá baixar ao ponto de se tornar mais competitivo do que a eletricidade.

Mas no meio de tantos problemas e imprevisibilidade, como é que a BloombergNEF pode prever um tão acentuado crescimento dos veículos elétricos nos próximos 20 anos? Duas coisas podem romper com o mercado que temos hoje, provocando esse efeito: carros mais baratos e políticas ambientais mais agressivas. Em comunicado, Colin McKerracher, da BloombergNEF, revela que a sua análise sugere que já existe um recuo do pico de vendas de carros a combustão térmica desde 2017 e que os preços dos veículos elétricos estarão em linha com os seus congéneres em 2025, graças à redução do preço das baterias de lítio. Esse dia poderá chegar mais cedo, porém, para a Tesla, que diz estar no advento do lançamento, lá para o final do ano, de um Model 3 mais barato e com mais autonomia. Mas, inicialmente, só disponível na China. 

As previsões da BloombergNEF são ainda mais brilhantes para os autocarros elétricos, que se espera que representem 67% do total deste segmento em 2040. Nesse mesmo ano, e de acordo com este estudo, 47% dos veículos a duas rodas serão, igualmente, elétricos. Para tudo isto ser possível, será preciso que existam no mundo 290 milhões de postos de carregamento, num investimento de 500 mil milhões de dólares, segundo Aleksandra O’Donovan, da BloombergNEF. A procura por eletricidade subirá, então, em cerca de 5%.

Grande parte deste crescimento vai ocorrer na Europa e na China, pelo menos num futuro próximo, dado haver um maior suporte político nestas regiões do mundo, em termos ambientais. Existem hoje 13 países que planeiam banir os carros a combustão térmica em algum ponto do tempo. Os Estados Unidos não são, no entanto, um deles. Pelo contrário, o governo americano tenciona acabar com um programa de benefícios fiscais que tinha sido criado para incentivar à adopção de veículos elétricos. Nos tempos que correm, é que se chama andar em contramão.

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