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A vida (cada vez mais) difícil dos “paparazzi” de automóveis

Quando chega a altura de ir para estrada testar um carro antes do lançamento, é fundamental uma boa camuflagem para guardar o segredo. E os disfarces estão cada vez mais sofisticados.

“A camuflagem do novo Golf é tão hipnótica que até magoa” – era mais ou menos isto que dizia, em agosto do ano passado, a Carscoops sobre as primeiras “foto-espia” do modelo apanhado em testes de estrada, meses antes do seu lançamento.

E a verdade é que a vida deste tipo de meios de comunicação especializados em mostrar novos modelos antes da estreia está cada vez mais complicada: se, até há alguns anos, as camuflagens permitiam – mesmo que com algum “wishfull thinking”, descortinar as linhas finais do modelo, hoje tudo se torna mais difícil.

As marcas de automóveis investem tempo e dinheiro no desenvolvimento de adesivos com padrões destinados a iludir o olho humano e a objetiva. E desenganem-se aqueles que pensam que a profusão de linhas e arabescos psicadélicos são fruto de um acaso. Nada disso. Tudo é estudado ao pormenor para trocar as voltas, e baralhar as objetivas, dos “paparazzi” do automóvel.

Este é um jogo de “gato e rato” muito mais importante do que se possa imaginar. A camuflagem é importante para os fabricantes de automóveis durante a fase de desenvolvimento e testes de estrada por uma variedade de razões. Um olhar indiscreto sobre um novo design antes do tempo pode ter impacto nas vendas dos modelos existentes, uma vez que os consumidores comparam as suas opções de compra atuais com as que estão no horizonte. Por outro lado, a concorrência está sempre à espreita. Isto para dar apenas dois exemplos.

E se, nas fases iniciais dos testes, basta cobrir os carros com painéis de aspeto encaixotado, quando o programa de ensaios se aproxima do final, o veículo tem de sair para estrada o mais fiel possível às condições do modelo final. E aí entram em ação as camuflagens tipo adesivo – que mantém os contornos da viatura e as suas características de condução, nomeadamente aerodinâmicas.

Os padrões psicadélicos são, assim, estudados para confundir a visão e as objetivas dos fotógrafos. Desenvolvimento relativamente recente, assenta nos estudos de reconstrução das imagens no cérebro a partir dos estímulos visuais, criando ilusões de ótica sempre que possível. A ideia é tornar difícil a identificação das linhas globais da carroçaria, assim como criar contrastes e sombras artificiais, baralhando a distinção entre formas convexas e côncavas, por exemplo.

Se, ao vivo, a definição de formas se torna realmente mais difícil, parece que outra das grandes metas – baralhar o foco das câmaras – nem sempre se realiza. Os “paparazzi” garantem que as objetivas de topo de gama conseguem fixar a imagem sem problema. A necessidade aguça o engenho e não apenas na decisão de comprar uma lente mais cara: recentemente um jornalista com experiência em “fotos-espia” explicava que, contra todas as regras da fotografia, os melhores resultados obtêm-se agora com os carros em contraluz. Pode parecer contraintuitivo, mas o objetivo é o de que haja menos luz a incidir nos padrões da camuflagem e se percebam melhor os contornos gerais, ou a silhueta, da carroçaria.

A Skoda explica

Dentro do Grupo Volkswagen, a Skoda é uma das marcas que tem dedicado muita atenção ao desenvolvimento destas camuflagens, tanto mais que o ritmo de lançamentos tem sido elevado e ainda porque, antes da estreia, cada modelo já terá de ter cumprido dois milhões de quilómetros em condições reais. Na maior parte das vezes, os testes têm lugar em ruas com trânsito regular.

Florian Weymar, Diretor de Desenvolvimento de Veículos da Skoda, explica: “Juntamente com o propósito atual de tornar um carro irreconhecível, as regras de circulação em estradas públicas têm de ser observadas. É por isso que cada protótipo conta com todas as funcionalidades de iluminação e sinalização, independentemente dos meios utilizados para camuflar ou disfarçar o seu design. O trabalho a ser feito pelos pilotos de teste e engenheiros durante cada saída para a estrada é outro fator a ter em conta. Assim, em geral, as entradas de ar não podem ser obstruídas e as ventilações interiores não podem ser cobertas. Isto garante que as medições fornecem dados fidedignos que apoiem a produção. No interior é crucial que o condutor seja capaz de visualizar os instrumentos e que tenha acesso a qualquer momento a elementos de controlo fundamentais”.

Na Skoda, os “artistas da camuflagem” são responsáveis por desenhar e desenvolver os padrões dos adesivos de vinil. Existem poucos limites à imaginação e a criatividade dos especialistas: jogam com padrões, efeitos 3D e contrastes de cor, e até há espaço para uma fina ironia ou humor: por vezes são ocultadas mensagens entre o design camuflado, como um hashtag para a conta de Twitter @skodaautonews.

Os especialistas em camuflagem da marca chegam a juntar-se com os responsáveis de marketing para desenvolver soluções realmente criativas. Para a última etapa da Volta à França de 2016, por exemplo, o SUV Kodiaq foi o carro estrela mesmo antes da sua estreia oficial, decorado com uma camuflagem em vermelho, cinzento e preto e atraindo assim bastante atenção durante a grande “procissão” do “Tour” até aos Campos Elíseos.

Em 2019, pouco antes da sua estreia mundial, a quarta geração do Skoda Octavia podia ser avistada nas ruas de Praga e Mladá Boleslav com uma camuflagem em amarelo e laranja, propositadamente desenvolvida para um jogo de “Apanha-me se puderes” com os fãs da Skoda. Quem partilhasse as suas fotos no Facebook, Twitter ou Instagram poderia ganhar um convite exclusivo para a estreia mundial em Praga.

 

(Newsroom SIVA)

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