Notícias actualizadas ao minuto sobre o sector automóvel

Portugal permitiu durante 6 anos a circulação de carros mais poluentes

Durante 6 anos, Portugal permitiu que carros mais poluentes – sem filtro de partículas – continuassem a passar na inspeção e a poder circular nas estradas nacionais. Situação vai acabar a partir de 1 de novembro.

A Associação Nacional dos Centros de Inspecção Automóvel (Ancia) revelou ao Observador que Portugal permitiu durante seis anos a circulação de veículos mais poluentes – sem filtro de partículas – nas estradas nacionais porque o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) não transpôs para o quadro legal português a diretiva europeia 45/2014.

Tal diretiva apertava o controlo da emissão de partículas e permitia aos centros de inspeção detectar a presença e o bom funcionamento do filtro de partículas. O presidente da Ancia, Paulo Areal, afirmou mesmo que os centros foram obrigados a adquirir equipamento e que este esteve subaproveitado durante seis anos, o que levou a que em Portugal circulassem carros mais poluentes do que nos restantes países da Europa.

Isto porque “os cerca de 230 centros que existem no país começaram a funcionar com a atual filosofia em 1994, analisando todo o tipo de veículos”, mas “as atuais exigências do IMT, que especificam o modo de funcionamento dos centros, em termos de deteção de deficiências, ainda têm por base uma deliberação de 1997, com os procedimentos então definidos”, afirmou Paulo Areal ao Observador.

Só a partir de 1 de novembro os centros de inspeção em Portugal passarão a obrigar os veículos com filtros de partículas a respeitar normas de emissões mais apertadas, pelo que só então vai ser possível que os modelos que andam a poluir acima da legislação europeia passem a respeitar os limites impostos nos restantes países.

Filtros de partículas

Consciente que a emissão de partículas para a atmosfera, tradicionalmente superior nos motores a gasóleo, é uma das formas mais graves de poluição, a Comissão Europeia obrigou os fabricantes a montar filtros de partículas nos modelos com motores Diesel a partir de 2009 – um dispositivo que captura o particulado que, de outra forma, sairia pelo escape, incinerando-o depois de tempos a tempos.

Mas o filtro é uma peça relativamente cara, pelo que, quando começa a dar problemas, a solução mais popular é mandar retirá-lo. O que é ilegal, mas não impede que existam empresas a anunciar que realizam esta operação sem que os centros consigam detetar a ilegalidade – isto porque mantêm a caixa exterior e soldam um tubo no seu interior para o inibir.

Outro tipo de cliente que habitualmente retira o filtro de partículas é o adepto do tuning que, para extrair mais uns cavalos do motor, incrementa a pressão do turbocompressor, “vitamina” a bomba de gasóleo e retira o filtro (que se lá continuasse rapidamente ficaria saturado e a obrigar a operações de limpeza extra por incineração).

De acordo com Ancia, “a diretiva de 2014 obriga a que os centros de inspecção dos países-membros da União Europeia devam analisar, com recurso a um opacímetro, a quantidade de partículas que sai pelo escape”, limitando a valores entre 2 e 3 mg para veículos mais antigos e que originalmente não estavam equipados com filtros de partículas, enquanto os automóveis que devem ter este dispositivo a funcionar não podem exceder cerca de 0,7 mg.

“Como esta diretiva ainda não foi aplicada”, recorda Paulo Areal, todos os modelos, tenham ou não filtro, são analisados do mesmo modo e “é impossível aos centros detetar se o filtro de partículas está ou não funcional, limitando-se os técnicos a verificar se a caixa exterior continua lá, mesmo que esteja vazia”.

Ler Mais

pub


OUTRAS NOTÍCIAS
Comentários
Loading...