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Câmara de Lisboa quer carros a circular a 30 km/h

O vereador da Mobilidade de Lisboa afirma que a câmara quer impor uma velocidade máxima de 30 km/h na maior parte da rede viária da cidade, indica o jornal Público.

A regra dos 30 km/h não deverá contudo aplicar-se às vias principais, como o Campo Grande, onde na semana passada foi mortalmente atropelada uma rapariga de 16 anos, revela o Público esta quarta-feira (acesso pago).

Vias como o Campo Grande, Avenida da República, Avenida dos Estados Unidos ou Avenida da Índia, entre outras, estão classificadas no Plano Director Municipal como vias de distribuição principal e a velocidade máxima só pode oscilar entre os 50 e os 80 km/h.

Acima dessas estão as chamadas vias estruturantes, como a Segunda Circular ou o Eixo Norte/Sul, onde se permite uma velocidade máxima de 80 km/h.

No final da hierarquia estão as vias de quarto e quinto nível, de proximidade e de acesso local, nas quais a Câmara quer que se circule a 30 km/h, no máximo.

“São mais de 800 quilómetros de rede viária”, esclareceu o vereador Miguel Gaspar, citado pelo jornal.

O atropelamento mortal de Ana Oliveira, na sexta-feira passada, deu-se quando a rapariga estava a atravessar uma passadeira junto à Biblioteca Nacional e um condutor não terá respeitado um sinal vermelho.

O caso gerou uma onda de indignação e para esta quinta-feira está marcada uma manifestação no local e para outras oito cidades portuguesas – a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta exigem “tolerância zero” aos atropelamentos.

Os manifestantes exigem que a Câmara de Lisboa “tome medidas de acalmia de tráfego nas zonas urbanas”, que a polícia fiscalize “os excessos de velocidade tão constantes em Lisboa e de alguma forma socialmente aceites” e que seja revisto o “perfil ‘auto-estrada’ desta rua e de outras com características idênticas na cidade”.

A ser verdade que o condutor desrespeitou o sinal vermelho, Miguel Gaspar diz que se trata de “um caso de polícia” e de “um crime”.

A indignação, afirma ainda o responsável, “é um sinal de maturidade democrática” e a Câmara Municipal “tem uma posição bastante clara de que o único número aceitável é zero mortos”.

O vereador critica a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) por ainda não ter aprovado regulamentação para se poderem instalar radares e câmaras que detetem quando um automobilista desrespeita um sinal vermelho.

Recorde-se que em maio a autarquia encomendou 20 novos radares de velocidade que permitem detetar quem passa um sinal vermelho, mas a tecnologia não pode ser usada enquanto não houver regras escritas.

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