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IP prevê menos 170 milhões de receitas em 2020

No primeiro semestre de 2020, a Infraestruturas de Portugal (IP) perdeu 104 milhões de euros de receitas devido ao impacto da covid-19 na mobilidade dos portugueses. Até final deste ano a estimativa é que a perda total de rendimentos core, face a 2019, seja da ordem dos 170 milhões.

A projeção é feita no relatório e contas consolidado dos primeiros seis meses do ano, divulgado esta sexta-feira, salientando o grupo que esse valor “dependerá muito da forma como a pandemia irá evoluir no quarto trimestre”, indica o Jornal de Negócios.

Se no que respeita ao nível de utilização da rede ferroviária “já se verificou uma recuperação quase integral, designadamente quando comparada com os meses de janeiro e fevereiro de 2020”, a utilização da rede rodoviária “é ainda inferior ao normal, mantendo-se assim um impacto significativo nos rendimentos gerados pela Contribuição do Serviço Rodoviário (CSR) e pelas portagens”, diz.

Até junho, a IP registou prejuízos de 48,5 milhões de euros, o que contrasta com lucros de quase 35 milhões obtidos no mesmo período de 2019.

Em comunicado à CMVM, a empresa liderada por António Laranjo salienta que este resultado negativo “deve-se à perda de 104 milhões de euros de receitas provenientes da redução de tráfego nas redes rodoviária, como sejam a CSR e as portagens, e ferroviária. Mas salienta que acredita que estas perdas serão revertidas “já no exercício de 2021”.

A IP reconhece que o desempenho económico e financeiro do grupo foi, até junho, “impactado, de forma muito significativa, pela pandemia provocada pela Covid-19,que provocou uma forte redução da utilização da rede rodoferroviária e a consequente redução de rendimentos”.

A sua principal fonte de receita, a CSR – contribuição que recebe como contrapartida paga pelos utilizadores pelo uso da rede rodoviária, e que incide sobre a gasolina, gasóleo rodoviário e GPL sujeitos ao imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) – diminuiu 19% face há um ano atrás para 269 milhões de euros.

Já as portagens renderam apenas 119,4 milhões de euros, menos 23%, e os serviços ferroviários geraram 35,4 milhões, um recuo de 12%.

A empresa salienta que o resultado operacional apresentou uma quebra de cerca de 69,9 milhões de euros face a 2019, atingindo ainda assim o valor de 81 milhões de euros.

Nos primeiros seis meses do ano, a IP aumentou os gastos de conservação da rede rodoferroviária em 11%, mas também o valor realizado de investimento, que cresceu 29%, em termos homólogos, para 75,7 milhões de euros. Deste montante, 54,5 milhões de euros são relativos ao programa de investimentos Ferrovia 2020, o que representa um aumento de 29% face ao período homólogo de 2019.

No primeiro semestre foram realizadas operações de aumento de capital num total de 354,6 milhões de euros, passando o capital social da IP a totalizar 7.558 milhões de euros. A dívida financeira do grupo no final de junho fixou-se em 4.981,9 milhões de euros, o que significa um decréscimo de 37,4 milhões de euros face a dezembro de 2019.

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