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#Ensaio – Honda e – O sonho elétrico japonês

Soichiro Honda, fundador da Honda Motors, via o mundo de modo particular e referia que “só temos um futuro, que será construído pelos nossos sonhos, se tivermos a coragem de desafiar o que está estabelecido”.

Texto de Jorge Farromba

E, assim, além de desenhar o seu próprio sonho, quis que o logótipo da marca transmitisse confiança, qualidade e fiabilidade, valores. Até o “H” da marca foi criado “mais largo na parte superior e mais estreito na metade inferior, representando dois braços abertos em direção ao céu, o que simboliza ‘O Poder dos Sonhos’”.

E poderá perguntar o leitor qual o motivo de tal introdução. Pois bem, a Honda esteve bastante tempo afastada dos híbridos e dos elétricos mas, ao fazê-lo e, no particular com o elétrico, as conclusões sobre o mesmo não podiam ser mais elogiosas.

Chegado ao parque de imprensa da marca troco o meu carro e aguardo pela chegada do Honda e. A imagem que retenho quando este chega é ainda melhor do que a emanada pelas fotografias de imprensa.

E, por breves momentos, naquele parque, sou catapultado para a minha infância e, na minha mente pululam memórias há muito esquecidas. Recordo-me de um amigo dos meus Pais que tinha um Honda N600 e uma viatura do segmento superior mas que teimava em andar com o pequeno Honda, porque simplesmente era aquele que ele gostava.

Muitas décadas depois a Honda recria o modelo numa tendência retrofuturista. Olha-se para o “e” de qualquer ângulo e é difícil não gostar dele.

O exterior com os seus faróis redondos muito estilizados e cativantes – e tal como o Tesla, com uma estética minimalista. Um para-brisas curto e mais direito que o habitual. Ao meio do capot o bocal para abastecimento de eletricidade. Lateralmente a colocação de câmaras de alta definição para substituir os retrovisores (!!), a pega das portas da frente que, por aproximação, se destacam para a sua abertura, os vidros sem moldura nas 4 portas e a pega de abertura das portas traseiras colocadas no pilar traseiro, inspirando um falso coupé.

Ora, se a frente cativa, a traseira deslumbra. Mesmo estilo que na frente, faróis redondos, quase um decalque da frente mas com um vidro traseiro mais inclinado. Podemos resumir o desenho exterior como uma reinterpretação moderna do saudoso N600 mas muito, mesmo muito melhorada.

Assim que se acede ao interior percebe-se que a Honda teve muito cuidado na conceção do “e”; portas a abrir quase a 90º e o acesso a um interior com 5 ecrãs, 2 deles de 6.5” a servir de retrovisor, devido às câmaras de alta definição, madeira no habitáculo (neste segmento?) , uma qualidade de construção acima do segmento e uma linha estilística que utiliza – tal como o Tesla – traços minimalistas e simples.

Sento-me ao volante e sinto-me cativado pelo interior – e não estou a exagerar. A estética, o traço de originalidade condiz com a usabilidade dos painéis, mas também com a leitura dos mesmos, até sob sol intenso (parte do teto é panorâmico). Senti-me bem recebido no Honda e e os primeiros 15 minutos no parque de imprensa foram para absorver, perceber, testar, verificar e compreender o que a Honda quis fazer com este modelo. E, de facto, compreende-se que houve aturado planeamento, mas também testagem de soluções pois é difícil encontrar falhas, até mesmo no sistema de som.

 

Concentro-me na consola central e encontro, a exemplo de outros modelos, a substituição da haste da caixa de velocidades por botões. Tranquilo! Aí, encontramos também o seletor do estilo de condução “normal” ou “sport” – na relação peso-potência o normal é mais que suficiente para descarga de adrenalina e para ter encontros imediatos com as autoridades – e o sistema de pedal único (similar ao da Nissan) que muito contribui para a regeneração das baterias.

Na hora de ligar o “e” impera o silêncio e, também aqui um detalhe curioso – a ausência daquele ruído do motor elétrico, aqui muito bem camuflado. A brecagem é de louvar, suplantando mesmo a da Mercedes. A resposta do motor é muito boa e sobressai neste ponto vários itens: O motor lida bem com o chassis em arranques intensos, o conforto – mesmo com tão curta distância entre eixos é de alto nível e o comportamento é são, previsível e, não estando ao nível de um Civic, caminha para lá.

Havia contudo uma dúvida que me assolava – saí da Honda com 190kms de autonomia e carga total. Ora, para cidade seria interessante esta autonomia, mas com algumas reservas, pois o dia era de calor e normalmente o AC retira autonomia e, para as voltas que ia fazer, teria que, ao final do dia o voltar a carregar. Ciente disso saí do importador e, nos vários locais onde passei foi alvo de intensas sessões fotográficas mas também de questões sobre o mesmo e “pedidos de ensaio”, situação que aliás se repetiu no dia seguinte.

Ao final do dia fui tirar as merecidas fotografias com o “e” e aproveitar para desfrutar do mesmo – sempre com AC ligado – durante mais de 1 hora – e é aqui que a surpresa com as baterias surge. Deparo-me com 146km de autonomia. Muito bom, pois na hora de fazer as contas, acredito que muito se deve ao modo eficiente como funciona o sistema regenerativo e o pedal único.

Em resumo, foi um teste curto mas muito interessante onde pude comprovar o cuidado que a marca teve em lançar este modelo. Olhando para este modelo e fazendo a ponte para outras marcas, a Honda pretendeu lançar um produto diferenciador e onde recolheu todos os ensinamentos do mercado atual. Inovou, mas sobretudo talvez tenha lançado o mesmo que a APPLE, a Swatch e a Smart – um produto único e diferenciador e, nos dias de hoje, o público pretende isso.

Preço final: 37.000 a 39.000€ consoante seja o modelo com 136 CV ou o e Advance com 154 CV.

O Honda está também equipado com o pacote de segurança HONDA SENSING “que inclui três novas funções sendo estas o Lead Car Departure Notification System que notifica o condutor quando o carro da frente arranca; o Collision Mitigation Throttle Control que impede acelerações repentinas em marcha-atrás ou no arranque, caso haja um obstáculo no caminho e, por fim, o Low Speed Brake Function que aplica a travagem de emergência na condução a baixa velocidade”.

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