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F1: Triunfos na era híbrida dependem “80% do carro e 20% do piloto”

A vitória num Grande Prémio de Fórmula 1 depende “80% do carro e 20% do piloto”, defendeu esta quarta-feira o treinador Nuno Pinto, numa era em que as novas gerações chegam ao topo “muito mais jovens e com mais quilómetros”.

“Podias pôr o Lewis Hamilton num Williams, num Alfa Romeo ou num Haas e ele não ia ganhar corridas. É tão simples quanto isto. Por outro lado, vês o peso que o piloto tem: pegando no mesmo carro, o Hamilton ganha muito mais corridas do que o Valtteri Bottas, que é um piloto excecional”, partilhou à Lusa o técnico de Lance Stroll (Racing Point).

Desde a implementação da era híbrida em 2014, com modernas unidades de potência e sistemas de recuperação de energia, a Mercedes venceu 99 de 132 Grande Prémios e somou seis títulos de pilotos e de construtores em outros tantos possíveis, levando Nuno Pinto a não ser “tão fã desta Fórmula 1 tão tecnológica e dependente da engenharia”.

“Estamos perante os monolugares mais rápidos que alguma vez se viu em pista, mas penso que essa rapidez podia ser conseguida de outra maneira. As unidades motrizes são demasiado complexas e pesadas e gostava de ver mais equilíbrio. O melhor piloto nos melhores carros ainda faz a diferença, mas este não é o melhor futuro”, apontou.

A classe rainha do automobilismo conserva figuras como Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Kimi Räikkönen, Daniel Ricciardo ou Sergio Pérez, tendo incluído nove atletas abaixo dos 25 anos, casos de Max Verstappen, Charles Leclerc, Lance Stroll, Alexander Albon, Pierre Gasly, Lando Norris, Esteban Ocon, Nicholas Latifi e George Russell.

“O Max já se afirmou e tem potencial para ser várias vezes campeão do mundo. O Charles mostrou que podia ganhar corridas quando a Ferrari estava mais competitiva. Há uma fornada de novos jovens pilotos de grande talento e cinco a sete pilotos com potencial para serem futuros campeões, dependendo das escolhas que fizerem”, vincou.

À parte da competitividade, Nuno Pinto vê “grandes diferenças” na relação com o risco, pois “os pilotos atuais aventuram-se muito mais com monolugares e circuitos seguros”, enquanto a dependência do dinheiro para chegar ao topo “não mudou”, mesmo se “os bons apoios ou o dinheiro da família não desmereçam em nada o talento de cada um”.

“Os pilotos com mais dinheiro vão poder treinar mais, contratar os melhores técnicos e rodear-se das melhores equipas para o seu desenvolvimento. Felizmente, a criação dos pontos da superlicença impediu que alguém só com uma mala de dinheiro e sem resultados de relevo noutras categorias comprasse o seu lugar na Fórmula 1”, notou.

O treinador lisboeta trabalha esta temporada com Lance Stroll (Racing Point), nono classificado da grelha, que conheceu na Williams, entre 2017 e 2018, e encara o “expoente máximo em termos tecnológicos e de técnica”, apesar de “não ser a disciplina que mais agrada”, já que um piloto “faz menos diferença do que noutras categorias”.

“Continua a dar-me maior gozo trabalhar nas fórmulas de iniciação. Na F3 tradicional era onde trabalhava verdadeiramente até ao detalhe na interligação com o piloto e os engenheiros. Isso fazia a diferença. Os melhores atletas e equipas ao longo do ano eram campeões, tal como na F1, mas a percentagem de trabalho era diferente”, comparou.

Nesses patamares de base, Nuno Pinto, fundador da WinWay – Intensive Driver Development Program, especializada na gestão de pilotos jovens, trabalhou 10 anos com a equipa italiana Prema e conheceu em 2016 Mick Schumacher, filho do heptacampeão mundial Michael Schumacher, campeão de F3 em 2018 e atual líder da Fórmula 2.

“Vejo semelhanças. O Mick é um miúdo humilde, trabalhador, bem preparado fisicamente e com muito bom espírito de equipa. Quando o conheces não pensas que é o Mick Schumacher, mas mais um jovem que está em início de carreira. Quando saía do carro ia logo perceber como estavam os pneus. Vê-se que foi educado pelo pai”, contou.

O técnico português reconhece “todas as qualidades de um grande piloto” no alemão, que “lida de maneira equilibrada com uma pressão mediática gigante” e “vai estar a curto prazo” na Fórmula 1, comprovando a ideia de que o talento pode ser “absolutamente visível” ao fim do primeiro treino e evoluir ao ponto de “concretizar o sonho de uma vida”.

“Os sobredotados conseguem ver logo nos primeiros metros, dias de testes e conversas. Quando vi o Max Verstappen andar pela primeira vez, reparei logo que era especial. Faltava ali muita coisa para melhorar, mas a velocidade, controlo do carro e coragem era de um fora de série. Aconteceu com ele, Ocon, Stroll, entre muitos outros”, concluiu.

(com Lusa)

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